Como a tecnologia facilita o processo de coleta seletiva de resíduos em diferentes países

16 de Novembro de 2016

Como a tecnologia facilita o processo de coleta seletiva de resíduos em diferentes países

As mudanças de hábitos influenciam diretamente na maneira como a sociedade se relaciona com o consumo excessivo. Muitos países e cidades têm atitudes e envolvimento com a tecnologia em prol da evolução da ideia de cuidar bem do planeta.


Alguns bons exemplos a serem seguidos:


A Alemanha é líder mundial em tecnologias e políticas de resíduos sólidos e possui os índices de reaproveitamento mais elevados do mundo. É uma cultura estabelecida e enraizada na sociedade alemã. Em 1970, a Alemanha tinha cerca de 50 mil lixões e aterros sanitários. Hoje, são menos de 200. A cadeia produtiva de resíduos emprega mais de 250 mil pessoas­. Estima-se que 13% dos produtos comprados pela indústria alemã sejam feitos a partir de matérias-primas recicladas. Várias universidades oferecem formação em gestão de resíduos, além de cursos técnicos profissionalizantes.


Junto com o crescimento econômico do país, o Japão se viu diante do desafio de encontrar um destino para o lixo. Graças a uma série de iniciativas, algumas já com meio século, o Japão é um dos países mais avançados nesse campo. Em 1970, entrou em vigor a Lei de Gestão de Resíduos, primeiro passo em direção ao atual sistema, que envolve toda a cadeia da produção e destinação do lixo, encarada a partir dos conceitos de reduzir, reciclar e reaproveitar. O transporte foi aperfeiçoado, com um sistema de estações de transferência, onde o lixo passa de caminhões pequenos ou médios para veículos coletores maiores, após ser comprimido.


A Suécia, tem uma geração relativamente alta de lixo. Por isso, a gestão de resíduos sólidos vem sendo encarada, há décadas, como prioridade das autoridades. Uma das mais inovadoras iniciativas começou em 1961. Em Estocolmo, a capital, onde 100% dos domicílios contam com coleta seletiva, as residências atendidas pelo sistema Envac dispõem de lixeiras conectadas a uma rede de tubos que conduzem os resíduos a uma área de coleta. Um sensor instalado percebe quando a lixeira está cheia. Por vácuo, o lixo é sugado e transportado para o local de acumulação de ­resíduos, onde é realizada a coleta seletiva.


Na cidade de São Francisco (EUA), 350 mil domicílios e 65 mil estabelecimentos comerciais participam da coleta seletiva e de programas de compostagem e reciclagem. A meta traçada pela cidade é zerar, até 2020, a remessa de resíduos sólidos para os aterros sanitários. Essa jornada, iniciada em 1989, incluiu estratégias essenciais. A prefeitura investiu na educação ambiental — ensinando a todos, das crianças aos comerciantes, como separar o lixo e as técnicas de reciclagem — e na pesquisa por novas tecnologias que permitam o reaproveitamento dos materiais descartados pela população. A cidade também implantou programas para reciclagem e compostagem de quase todo o resíduo produzido, introduzindo incentivos econômicos - quem faz mais compostagem paga menor taxa de lixo.


Reorientar a tecnologia para administrar as coletas de resíduos faz com que sejam priorizadas as chamadas tecnologias limpas – tecnologias que preveem a substituição de matérias-primas poluentes, a modernização e a otimização de processos industriais e a economia de energia, além da mudança de visão com relação aos resíduos sólidos industriais que deixam de ser vistos como algo sem valor econômico e sem utilidade – para serem vistos como materiais que podem ser reutilizados e reaproveitados.



A coleta seletiva passa a ser um dos programas de grande importância na gestão de resíduos. O cidadão, seja ele de qualquer parte do mundo ou influência econômica, começa a assumir efetivamente seu papel na relação com a coletividade e com a sustentabilidade.